Foto do final da reunião na Comunidade de Estirão Cumprido em Barão de Melgaço, do projeto Travessia Pantaneira.

Travessia Pantaneira

Escutar o Pantanal, fortalecer comunidades e construir futuros coletivos.

O projeto Travessia Pantaneira é uma iniciativa conjunta do Ministério Público do Estado de Mato Grosso,  da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras e da Associação A Casa do Centro. A ação promove o diálogo com as comunidades pantaneiras, fortalecendo o protagonismo local e a construção coletiva de caminhos para o futuro do bioma.

Primeira Travessia

A primeira fase do projeto “Travessia Pantaneira”, realizada entre os dias 13 e 16 de outubro de 2025, permitiu a identificação empírica das principais demandas das comunidades ribeirinhas e pantaneiras de Barão de Melgaço e Santo Antônio do Leverger.

As comunidades envolvidas nesta primeira fase foram Barranco Alto, São José, Piuvá, Croará, Rancharia, Pocinho, Pedro Alves, Sangrador Grande, Barranqueira, Praia dos Bois, Porto General, Estirão Cumprido, Porto Brandão, Cuiabá Mirim, Capoerinha e Conchas.

Em todas as reuniões, o MP procurou estimular e ouvir todas as demandas das comunidades. Entre as principais demandas da região estão o acesso à água potável, a regularização fundiária, a infraestrutura e o acesso, a energia elétrica, a saúde e o meio ambiente.

Os relatos coletados nas reuniões de escuta social indicam que a precariedade no acesso à água potável constitui a principal urgência dessas populações. Apesar de localizadas na maior planície alagável do planeta, as comunidades enfrentam escassez hídrica para consumo humano, decorrente da ausência de sistemas seguros de captação e distribuição. Em praticamente todas as localidades visitadas, o abastecimento depende da compra de água engarrafada ou da utilização direta do rio Cuiabá e de poços comunitários ou particulares, frequentemente contaminados por ferrugem, matéria orgânica, coliformes fecais e resíduos urbanos e turísticos.

Mapa da primeira fase do projeto Travessia Pantaneira, de Cuiabá à Barão de Melgaço, com ícones de pontos de parada
Logomarca do projeto Travessia Pantaneira e logomarcas dos realizadores: Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Associação A Casa do Centro e Aguapan

O projeto Travessia Pantaneira, realizado pela Associação A Casa do Centro (ACDC), em parceria com a Associação dos Guardiões e Guardiãs do Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (AGUAPAN), a Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira e a Comissão de Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), promove uma imersão no Pantanal para realizar escuta social ativa e diálogo direto com as comunidades pantaneiras. Estruturada em três imersões que percorrem diferentes regiões do Pantanal mato-grossense, a ação envolve reuniões voltadas à identificação de demandas socioambientais e à formulação de medidas institucionais que fortaleçam a proteção dos territórios, a valorização dos saberes locais e a promoção da justiça socioambiental, buscando compreender as necessidades e percepções das comunidades sobre as transformações do bioma e fortalecer seu protagonismo na construção de caminhos para o futuro do Pantanal.

A importância das Comunidades Tradicionais Pantaneiras

As comunidades tradicionais pantaneiras exercem funções estratégicas na conservação ambiental, na sustentabilidade territorial e na reprodução sociocultural da região, com modos de vida diretamente vinculados ao ciclo das águas e baseados em um conhecimento ecológico tradicional (CET) desenvolvido pela experiência cotidiana com o ambiente. Esse conhecimento integra práticas de manejo sustentável, leitura climática e uso equilibrado dos recursos naturais, articulando dimensões econômicas, sociais e culturais. A biodiversidade é compreendida não apenas como recurso, mas como elemento constitutivo do cotidiano, da identidade e da organização social dessas comunidades, que contribuem para a proteção de ecossistemas críticos, mantêm práticas agrícolas e extrativistas adaptadas ao bioma e participam da economia local por meio da pesca, do artesanato e do turismo sustentável, enquanto sua permanência no território reforça vínculos de pertencimento e práticas coletivas que sustentam a coesão social.

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