O projeto Travessia Pantaneira, realizado pela Associação A Casa do Centro (ACDC), em parceria com a Associação dos Guardiões e Guardiãs do Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (AGUAPAN), a Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira e a Comissão de Meio Ambiente do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), promove uma imersão no Pantanal para realizar escuta social ativa e diálogo direto com as comunidades pantaneiras. Estruturada em três imersões que percorrem diferentes regiões do Pantanal mato-grossense, a ação envolve reuniões voltadas à identificação de demandas socioambientais e à formulação de medidas institucionais que fortaleçam a proteção dos territórios, a valorização dos saberes locais e a promoção da justiça socioambiental, buscando compreender as necessidades e percepções das comunidades sobre as transformações do bioma e fortalecer seu protagonismo na construção de caminhos para o futuro do Pantanal.
A importância das Comunidades Tradicionais Pantaneiras
As comunidades tradicionais pantaneiras exercem funções estratégicas na conservação ambiental, na sustentabilidade territorial e na reprodução sociocultural da região, com modos de vida diretamente vinculados ao ciclo das águas e baseados em um conhecimento ecológico tradicional (CET) desenvolvido pela experiência cotidiana com o ambiente. Esse conhecimento integra práticas de manejo sustentável, leitura climática e uso equilibrado dos recursos naturais, articulando dimensões econômicas, sociais e culturais. A biodiversidade é compreendida não apenas como recurso, mas como elemento constitutivo do cotidiano, da identidade e da organização social dessas comunidades, que contribuem para a proteção de ecossistemas críticos, mantêm práticas agrícolas e extrativistas adaptadas ao bioma e participam da economia local por meio da pesca, do artesanato e do turismo sustentável, enquanto sua permanência no território reforça vínculos de pertencimento e práticas coletivas que sustentam a coesão social.