O projeto Pantanal +10, idealizado pelo fotógrafo e documentarista José Medeiros e realizado pela Associação A Casa do Centro, em parceria com pesquisadores, jornalistas e demais atores vinculados ao território, acompanha a situação dos pantaneiros, os impactos ambientais e os reflexos das mudanças climáticas sobre o Pantanal ao longo de uma década, entre 2020 e 2030.
A partir da questão “Que futuro queremos para o Pantanal?”, o projeto se propõe a retratar as transformações do bioma durante dez anos, produzindo um registro continuado das mudanças ambientais, sociais e culturais e de seus efeitos sobre as populações tradicionais que vivem no território.
A proposta parte de um processo de transformação que já pode ser observado em séries históricas. Dados do MapBiomas indicam que, entre 1985 e 2023, o Pantanal perdeu 13% de sua vegetação nativa, cerca de 1,8 milhão de hectares. A água, elemento que estrutura a dinâmica ecológica e os modos de vida no bioma, também apresenta redução. Entre 1985 e 2020, o MapBiomas identificou uma diminuição de 68% da superfície de água no Pantanal. Em 2024, a superfície anual de água ficou 61% abaixo da média histórica registrada desde 1985, em um contexto de cheias menores e períodos secos mais prolongados. Os incêndios de 2020 expuseram outra dimensão dessas transformações. Naquele ano, o fogo atingiu mais de 4 milhões de hectares do Pantanal, com estudos que estimam áreas queimadas superiores a 4,5 milhões de hectares, dependendo da metodologia de mapeamento. Uma pesquisa publicada na Scientific Reports estimou que aproximadamente 17 milhões de vertebrados morreram diretamente em decorrência dos incêndios, a partir de levantamentos realizados em áreas queimadas entre janeiro e novembro daquele ano.
Foi nesse contexto que o Pantanal +10 iniciou seu acompanhamento, em 2020. A proposta de longa duração permite observar essas transformações para além de acontecimentos isolados e registrar como alterações no fogo, nas águas, na vegetação e nas formas de ocupação do território repercutem sobre a biodiversidade e sobre os modos de vida das populações pantaneiras.
Com foco no registro fotográfico e audiovisual, o projeto acompanha territórios, comunidades, paisagens, acontecimentos e personagens ao longo da década. As imagens constituem, ao mesmo tempo, documentos sobre um período histórico e instrumentos de sensibilização e reflexão, capazes de tornar visíveis processos que se desenvolvem no território e contribuir para o debate público sobre mudanças climáticas, conservação ambiental e formas de uso e ocupação dos recursos naturais.
Ao longo dos dez anos, o Pantanal +10 produzirá um acervo documental sobre o patrimônio natural e cultural do Pantanal, reunindo fotografias, filmes, relatos e outros registros. Ao final do período, esse conjunto constituirá uma memória das transformações ocorridas entre 2020 e 2030, documentando o ambiente, as populações e os modos de vida que nele se constituíram.
Nesse processo, histórias, experiências e memórias das populações pantaneiras integram o registro das mudanças ecológicas, sociais e culturais do território. O projeto procura, assim, documentar o Pantanal que existe, as transformações que atravessa e as condições de vida daqueles que permanecem vinculados a ele.